16/01/2026 às 18:50 Psicanálise

Meu primeiro caso clínico

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1min de leitura

Meu primeiro caso clínico se chamava Darci, e permanece, ainda sou meu primeiro caso. Escutar a mim mesmo tem sido árduo.

Olhar para os olhos da Medusa e ver a própria verdade é petrificante, por isso, foi necessário olhar pelo reflexo, assim fez Perseu, que usando um escudo escapou de ver a si.

Na vida somos como Perseu, usamos de escudos para não enxergamos dentro de nós. Porém, Freud percebeu que havia um outro caminho que permitia nos aproximarmos disto que nos habita. Contemplar o inconsciente fazia emergir este estranho que há em cada um de nós e fazê-lo falar.

Ainda que “fale”, é difícil escutar, nos protegemos de nossas próprias enunciações. Todos estes anos sendo analisante me fizeram perceber muitos de meus escudos, de alguns me desarmei, de outros não consigo abrir mão, o medo é maior, resisto.

Sei que há coisas em mim que temo e foi pensando nisto tudo que caiu minha ficha, sou meu primeiro caso clínico, o caso mais difícil que enfrento até hoje.

É mais fácil (não que seja fácil) escutar os pacientes que à mim.

Nesta perspectiva sou meu primeiro e, também, meu eterno caso.

16 Jan 2026

Meu primeiro caso clínico

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